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Conto | Minha Mãe e Eu. | Infinito Amor.

 O ano era 1964, a cidade era Salvador, na Bahia. Dona Mira estava passando momentos difíceis depois que descobriu que havia sido enganada pelo rapaz com quem se envolvera e a situação ficou pior quando descobrira que estava grávida. O rapaz, apesar de ter assumido a criança e registrado o garoto em cartório, era pouco presente na vida da mãe e do filho, mas não foi só isso que produziu mágoas profundas nela e sim o fato de que havia outra mulher que também estava grávida com apenas um mês de diferença que ela. Foi demais para a cabeça daquela mulher simples. Ter descoberto que o grande amor da sua vida era casado e que sua esposa estava grávida. Resolveu então seguir viagem e distanciar-se dos dois, assim amargaria suas dores de longe e não atrapalharia a vida de ambos. Ao saber da decisão de dona Mira em partir, Amado resolveu intervir, mas resoluta, ela não cedeu.
  Apesar da situação parecer constrangedora, dona Mira e Bina, a esposa de Amado, se conheceram e conseguiram entrar em entendimento e construir uma sólida amizade. Passou a haver muito respeito entre elas e o garoto, que Bina acolheu como seu próprio filho. Desta forma Amado poderia ver seu filho, mas com a ressalva de que não havia chance alguma de haver algo entre ele e dona Mira. E assim tudo transcorreu e o tempo foi passando. Anos mais tarde dona Mira já não tinha condições financeiras de viajar á Salvador e a ajuda financeira que recebia era para pagamento da pensão alimentícia do garoto. Ela já estava estabelecida em Aracaju e sua saúde não estava bem. Apesar de todas as suas mágoas e dores do passado, sua maior queixa era de não receber nenhuma ajuda para que o filho pudesse ver o pai.
  Mãe e filho viveram diante de muito luta e com muito esforço e ajuda de amigos dona Mira seguia na educação do filho que já aproximava da adolescência. Quando o garoto completara doze anos a saúde da mãe já dava sinais de fraqueza e ela começou a reclamar de dores na região da coluna e dar pernas. Após vários anos e diversos exames com diagnósticos inexatos, as dores continuam aumentando de intensidade e chegaram ao ponto de impedi-la de trabalhar. Finalmente as dores se tornaram insuportáveis. Foram feitos novos exames e ela foi diagnosticada com Câncer no ossos. Como não havia tratamento eficaz para amenizar as dores e não havia chance de cura, o médico chamou o rapaz e em conversa particular disse-lhe sobre a gravidade da doença, seu estágio que estava avançado e qual a sobrevida estimada.
  O garoto estava com 13 anos e as notícias não eram nada boas, mas fez-se forte. Obrigou-se a ser forte quando pela primeira vez viu sua mãe chorar por estar completamente dependente dele, por não possuir mais os movimentos das suas pernas e pelas fortes dores que sentia. O estágio da doença evoluía rapidamente e as atividades motoras de dona Mira foram afetadas da cintura para baixo e ela dependia do filho para higiene corporal, alimentação, banhos de sol e cuidados básicos. Copiosamente ela chorava por ter que mostrar sua nudez ao filho, por  locomover-se em cadeira de rodas. Também haviam as feridas abertas nos ossos da bacia que não lhe permitia dormir e obrigava ela a submeter-se a curativos constantes para assepsia do local. Agora já com dezoito anos e meio, o filho via o quanto a doença havia consumido aquela mulher magra, pálida e de brilho fosco no olhar.
  Era a fase terminal da doença e ele sabia que era questão de tempo para que dona Mira partisse aos braços do pai. Quando ele estava com dezenove anos e alguns meses dona Mira se foi. Uma morte marcada pelo seu estilo, assistindo a televisão que o filho lhe presenteara quando tinha dezesseis anos de idade. Gostava de assistir novelas e programas e ele resolvera dar a ela seu primeiro aparelho televisor, assim lhe garantiria uma sobrevida melhor. O aprovou a ideia, achou excelente. Foi o que fez e garantiu a ela esquecer um pouco as dores e mergulhar nas novelas. Talvez para muitos dona Mira tenha de fato falecido, mas para o filho ela continuava viva em cada conselho que lembrava, cada gesto de amor, cada carinho. Sua morte, após ter visto o sofrimento que ela tivera em vida, foi um descanso para seu corpo fraco e debilitado, uma libertação, mas ela continuava viva em suas lembranças. 

Texto do Escritor e Autor Tony Casanova. Todos os Direitos Reservados e garantidos pelas Leis Nacionais e Internacionais de Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual. Proibida a cópia, colagem, reprodução ou divulgação de qualquer natureza, do todo ou parte dele, independente dos meios ou fins. A violação destes Direitos constitui-se crime e está passiva das punições legais cabíveis. 
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  Tale | My Mother and I. | Infinite love.

   The year was 1964, the city was Salvador, in Bahia. Dona Mira was having a hard time finding out she'd been fooled by the boy she'd been involved with, and it got worse when she found out she was pregnant. The boy, despite having taken the child and registered the boy in a notary's office, was little present in the life of the mother and the son, but not only that produced deep sorrows in her, but the fact that there was another woman who was also pregnant With only a month of difference to it. It was too much for that simple woman's head. To have discovered that the great love of his life was married and that his wife was pregnant. He resolved to follow the journey and distance himself from the two, so he would embitter his pains from afar and would not interfere with their lives. Upon learning of Dona Mira's decision to leave, Amado decided to intervene, but resolutely, she did not give in.
  Although the situation seemed embarrassing, Dona Mira and Bina, the wife of Amado, met and managed to enter into understanding and build a solid friendship. There was much respect between them and the boy Bina welcomed as her own son. In this way Beloved could see his son, but with the proviso that there was no chance of anything between him and Mrs. Mira. And so everything went by and time passed. Years later Dona Mira no longer had the financial means to travel to Salvador and the financial help she received was to pay the child's alimony. She was already settled in Aracaju and her health was not well. In spite of all his pains and pains of the past, his biggest complaint was of not receiving any help so that the son could see the father.
  Mother and son lived in a lot of struggle and with much effort and help from friends, Mrs. Mira was still educating her son who was approaching adolescence. When the boy was twelve years old his mother's health already showed signs of weakness and she began to complain of pains in the region of the spine and to give legs. After several years and several tests with inaccurate diagnoses, the pains continue to increase in intensity and have reached the point of preventing her from working. Finally the pain became unbearable. Further tests were done and she was diagnosed with Cancer in the bones. As there was no effective treatment to ease the pain and there was no chance of cure, the doctor called the young man and in private talk told him about the severity of the disease, its stage which was advanced and what the estimated survival.
  The boy was 13 years old and the news was not good, but he became strong. He forced himself to be strong when, for the first time, he saw his mother crying for being completely dependent on him for not having the movements of his legs and the strong pains he felt. The stage of the disease was rapidly evolving and Dona Mira's motor activities were affected from the waist down and she depended on her son for body hygiene, food, sunbathing and basic care. She cried copiously for having to show her nudity to her son by moving in a wheelchair. There were also open wounds in the bones of the basin that did not allow her to sleep and forced her to undergo constant dressings to asepsis the place. Now, at eighteen and a half, his son saw how sick the thin, pale, dull-looking woman had consumed the sight.
  It was the terminal phase of the disease and he knew it was a matter of time before Dona Mira left in her father's arms. When he was nineteen and a few months old, Mrs. Mira was gone. A death marked by his style, watching the television his son had given him when he was sixteen years old. He liked to watch soap operas and shows and he had decided to give her his first television set, so that he would have a better life. He approved the idea, he thought it was excellent. It was what she did and assured her that she would forget the pains a little and immerse herself in the novels. Perhaps for many Dona Mira was indeed deceased, but for her son she was still alive in every advice she remembered, every gesture of love, every affection. Her death, after seeing the suffering she had had in life, was a rest for her weak and weak body, a release, but she was still alive in her memories.

Writer Text and Author Tony Casanova. All Rights Reserved and guaranteed by the National and International Laws for the Protection of Intellectual Property Rights. No part of it may be copied, collated, reproduced or disseminated, regardless of its means or purpose. The violation of these Rights constitutes a crime and is passive of the applicable legal punishments.
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  Cuento | Mi madre y yo. Infinito amor.

   El año era 1964, la ciudad era Salvador, en Bahía. Doña Mira estaba pasando momentos difíciles después de que descubrió que había sido engañada por el muchacho con quien se involucró y la situación empeoró cuando descubrió que estaba embarazada. El muchacho, a pesar de haber asumido al niño y registrado al chico en una oficina, era poco presente en la vida de la madre y del hijo, pero no fue sólo eso que produjo dolor profundo en ella, sino el hecho de que había otra mujer que también estaba embarazada Con sólo un mes de diferencia que ella. Fue demasiado para la cabeza de aquella mujer sencilla. Al descubierto que el gran amor de su vida estaba casado y que su esposa estaba embarazada. Entonces resolvió seguir viaje y distanciarse de los dos, así amargaría sus dolores de lejos y no entorpecaría la vida de ambos. Al conocer la decisión de doña Mira en partir, Amado resolvió intervenir, pero resuelta, no cedió.
  A pesar de la situación parece vergonzosa, doña Mira y Bina, la esposa de Amado, se conocieron y consiguieron entrar en entendimiento y construir una sólida amistad. Se pasó mucho respeto entre ellas y el chico, que Bina acogió como su propio hijo. De esta manera Amado podría ver a su hijo, pero con la salvedad de que no había posibilidad alguna de haber algo entre él y doña Mira. Y así todo transcurrió y el tiempo fue pasando. Años más tarde dueña Mira ya no tenía condiciones financieras de viajar a Salvador y la ayuda financiera que recibía era para el pago de la pensión alimenticia del niño. Ella ya estaba establecida en Aracaju y su salud no estaba bien. A pesar de todas sus penas y dolores del pasado, su mayor queja era de no recibir ninguna ayuda para que el hijo pudiera ver al padre.
  Madre e hijo vivieron ante mucha lucha y con mucho esfuerzo y ayuda de amigos dona Mira seguía en la educación del hijo que ya se acercaba a la adolescencia. Cuando el niño cumplía doce años la salud de la madre ya daba señales de debilidad y empezó a reclamar dolores en la región de la columna y dar piernas. Después de varios años y diversos exámenes con diagnósticos inexactos, los dolores continúan aumentando de intensidad y llegaron al punto de impedirla de trabajar. Finalmente los dolores se volvieron insoportables. Se realizaron nuevos exámenes y fue diagnosticada con Cáncer en los huesos. Como no había tratamiento eficaz para amenizar los dolores y no había posibilidad de curación, el médico llamó al muchacho y en conversación privada le dijo sobre la gravedad de la enfermedad, su etapa que estaba avanzado y cuál la sobrevida estimada.
  El chico estaba con 13 años y las noticias no eran nada buenas, pero se hizo fuerte. Se obligó a ser fuerte cuando por primera vez vio a su madre llorar por estar completamente dependiente de él, por no poseer más los movimientos de sus piernas y por los fuertes dolores que sentía. La etapa de la enfermedad evolucionó rápidamente y las actividades motoras de doña Mira se vieron afectadas de la cintura hacia abajo y dependía del hijo para la higiene corporal, alimentación, baños de sol y cuidados básicos. Copiosamente ella lloraba por tener que mostrar su desnudez al hijo, por moverse en silla de ruedas. También había las heridas abiertas en los huesos de la cuenca que no le permitía dormir y obligaba a someterse a curativos constantes para asepsia del local. Ahora ya con dieciocho años y medio, el hijo veía cómo la enfermedad había consumido aquella mujer magra, pálida y de brillo mate en la mirada.
  Era la fase terminal de la enfermedad y él sabía que era cuestión de tiempo para que Doña Mira partiera a los brazos de su padre. Cuando él estaba con diecinueve años y algunos meses doña Mira se fue. Una muerte marcada por su estilo, viendo la televisión que el hijo le había regalado cuando tenía dieciséis años de edad. Me gustaría ver las novelas y los programas y él había decidido darle a su primer televisor, así que le garantizaba una sobrevida mejor. El aprobó la idea, le pareció excelente. Fue lo que hizo y le garantizó a ella olvidar un poco los dolores y sumergirse en las novelas. Tal vez para muchos dueños de Mira, de hecho falleció, pero para el hijo ella seguía viva en cada consejo que recordaba, cada gesto de amor, cada cariño. Su muerte, después de haber visto el sufrimiento que ella había tenido en vida, fue un descanso para su cuerpo débil y debilitado, una liberación, pero ella continuaba viva en sus recuerdos.

Texto del Escritor y Autor Tony Casanova. Todos los Derechos Reservados y garantizados por las Leyes Nacionales e Internacionales de Protección a los Derechos de Propiedad Intelectual. Prohibida la copia, collage, reproducción o divulgación de cualquier naturaleza, del todo o parte de él, independientemente de los medios o fines. La violación de estos derechos se constituye en delito y está pasiva de las sanciones legales.
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Tony Casanova, brasileiro, natural de Salvador-BA, escreve desde 1976 e é fundador e administrador do Projeto Roda Cultural, instituição virtual de apoio ás Artes e Artistas em geral. Autor dos E-books "Panorama da Artes", "No Litoral das Relações" , "Relações Instáveis", "O Amor Fala Francês", "O amor segundo a Bíblia", este último inspirado em uma matéria sua publicada no blog Mesa Farta e que teve mais de 10.000 leitores. O escritor Tony Casanova escreve em vários estilos, tendo herdado suas técnicas a partir de leituras feitas a partir de grandes vultos da literatura brasileira, entre os quais estão Castro Alves, Rui Barbosa, Cora Coralina, Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade e outros. Gosta do estilo lírico e tem forte inclinação a esta técnica. O autor tem várias publicações em suas páginas da internet. Entre os gêneros literários que escreve estão a Crônica, Poesia, Poema, Ficção e Romance.